Desaparecidos em Guarulhos

Blog destinado a ajudar na solução dos casos de desaparecimento de pessoas, em sua grande maioria jovens pobres, na cidade de Guarulhos e região.

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21.01.08

Rodrigo Isac dos Santos





Data: 19 de novembro de 2001
Local: Chácara em rua secundária na altura do nº 3000 da Av. Miguel Ackel, Guarulhos
Vítima: Rodrigo Isac dos Santos, 17 anos
Agentes do Estado: (autores da prisão) Wagner Garcia, sargento; Ricardo Veron Guimarães Junior, soldado; Jair de Almeida Bernardo, soldado; José Carlos Romualdo, soldado; Ariovaldo Cristóvão Antonio de Freitas, soldado; Samuel Alencar Neri, soldado; todos do 31º Batalhão da Polícia Militar

Relato do caso: A história desse assassinato começa com Leandro Isac dos Santos, de 19 anos, que era egresso da FEBEM e consumidor de drogas. Tendo contraído dívidas com traficantes locais, foi ameaçado por eles e depois por policiais da região envolvidos com o tráfico. Em 16 de agosto de 2001 Leandro foi baleado e morto nas proximidades de sua casa, em uma loja de doces.

Três meses depois seu irmão, Rodrigo, voltava de uma discoteca na madrugada de 19 de novembro, com mais cinco colegas, todos trabalhadores e estudantes jovens quando, segundo as declarações dos sobreviventes no inquérito efetuado pela Corregedoria da Polícia Militar, foram chamados por dois desconhecidos para ajudá-los a carregar fios elétricos que estavam sendo roubados. Embora nunca tivessem participado de tal atividade, aceitaram. Entretanto chegaram quatro viaturas da Polícia Militar. Os rapazes se dispersaram: três correram para o quintal de uma casa e os outros três, entre eles Rodrigo, em direção a uma chácara. Enquanto a polícia disparava seis tiros em direção a um deles e um outro conseguia se esconder debaixo de um carro, Rodrigo era detido e colocado no compartimento traseiro da viatura Vtr-M 31114, do 31º Batalhão da Polícia Militar. Este fato foi confirmado pelo amigo que permaneceu escondido debaixo de um carro e por uma senhora de uma casa vizinha que, temerosa por seu próprio filho, acompanhou a ação da polícia. Foi também testemunhado pelo Cabo Leonardo Craveiro que, em inquérito, declarou ter visto dentro da caçamba da viatura um vulto que lhe pareceu ser de Rodrigo, que já conhecia de outra ocorrência, conforme declarações contidas no Inquérito Policial Militar nº 041/122/2001. Mas Rodrigo nunca mais foi visto e nem seu cadáver apareceu.

Situação da investigação: O fato do desaparecimento de Rodrigo foi denunciado imediatamente por seu pai, Elias Isac dos Santos, através de Boletim de Ocorrência (nº8443/01) na 4ª Delegacia de Polícia de Guarulhos e à Corregedoria da Polícia Militar, em 27 de novembro de 2001.

No inquérito realizado pela Corregedoria Militar de Guarulhos (nº 041/122/2001) prestaram depoimento os sete policiais militares de plantão: Soldado Ricardo Veron Guimarães Junior, Soldado Jair de Almeida Bernardo, Soldado Samuel Alencar Neri, Soldado José Carlos Romualdo, Soldado Ariovaldo Cristóvão Antonio de Freitas, Sargento Wagner Garcia e Cabo Leonardo Rodrigues Craveiro. Quase todos descreveram os fatos mais ou menos da seguinte maneira: foram chamados para uma ocorrência de roubo de fios na altura do nº 3000 da Av. Miguel Ackel, porém permaneceram apenas na avenida principal, ou entraram rapidamente nas vias secundárias, sem ver fios, sem descer das viaturas e sem interpelar ninguém. Destoa desses depoimentos o do Cabo Leonardo, que afirma terem penetrado nas ruas secundárias, chegando até perto de uma chácara. Seis dos policiais militares ouvidos, sobre os quais recaíam as suspeitas, com exceção do Cabo Leonardo, tiveram a prisão temporária decretada pelo Juiz-Auditor Corregedor Permanente da Justiça Militar e executada pelo comandante interino do 31º Batalhão da PM, ficando presos de 6 a 17 de dezembro de 2001. Enquanto estavam presos, foi ordenada a “degravação” das fitas de comunicações entre eles. Por elas verificou-se que eles que haviam encontrado vários rapazes que fugiam, e ao encalço de quem haviam corrido. Em certo trecho da “degravação”, seguido de interrupção da fita por motivos técnicos não explicados, ouve-se a frase: “Pode trazer! pode trazer!”. Ao observador dos autos fica claro que diziam que podiam trazer Rodrigo para dentro da viatura. Tanto é assim que todos os acusados foram depois ouvidos sobre as contradições entre suas declarações e a degravação, especialmente sobre o sentido da frase acima, e as respostas variaram entre “não me lembro” e “só falarei em juízo”. Depois desses dias foram soltos já que “não havia corpo”, a prova material de que o crime aconteceu.

Entretanto o corpo não apareceu. Em diversas ocasiões o Sr. Elias, pai de Leandro e de Rodrigo, narrou suas iniciativas pessoais para procurar o cadáver de seu filho e para reconhecer, nos despojos de um corpo, acompanhado de um par de tênis que lhe havia emprestado um amigo na data do desaparecimento, o seu filho Rodrigo. Foram pedidos exames de DNA que deram resultado negativo em meio a várias irregularidades.

Em novembro de 2002, o Promotor de Guarulhos, Dr. Neudival Mascarenhas Filho reabriu as investigações para apurar não apenas a morte de Rodrigo, como também a de seu irmão Leandro e a hipótese de relação entre as duas. O inquérito (Nº 32/03) encontrava-se em fase de “diligências” da investigação policial, conduzido pela Delegacia Seccional de Guarulhos (Delegado responsável, Dr. Genestreti), tendo sido expedidos vários ofícios a diversos órgãos. Paralelamente está sendo investigada também a morte de Leandro Isac dos Santos. (Inquérito policial na Delegacia Seccional de Guarulhos nº177/03; e Processo no Fórum nº 1410/2001, a partir do Boletim de Ocorrência nº 786/2001).

Em 21 de dezembro de 2005, a Justiça de Guarulhos acolheu a denúncia do promotor Marcelo Alexandre de Oliveira, de homicídio qualificado contra cinco policiais do 31º Batalhão da Polícia Militar: Wagner Garcia, sargento; Ricardo Veron Guimarães Junior, soldado; Jair de Almeida Bernardo, soldado; José Carlos Romualdo, soldado; e Ariovaldo Cristóvão Antonio de Freitas, soldado.

Fontes: Otite - Crônica - Publicação da Ouvidoria de Polícia do Estado de São Paulo, Ano I, nº 22, 1 a 15 de julho de 2002; Documento do GTNM-SP “Anatomia de um desaparecimento”, janeiro 2003; Audiência Pública da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP, com a presença do Secretário Especial de DIreitos Humanos, Nilmário Miranda, em 14/03/2003; Audiência Pública da Comissão Especial do Conselho de Defesa da Pessoa Humana (CDDPH) sobre Grupos de Extermínio realizada em 20/05/2003, na Câmara Municipal de Guarulhos; Agora, 16/02/2002; Folha on line, 11/03/2003; Relatório da Justiça Global, “Execuções sumárias no Brasil – 1997-2003”, setembro 2003; Relatório das Entidades de Direitos Humanos entregue à Relatora da ONU para Execuções Sumárias, Sra. Asma Jahangir, “São Paulo: Política de segurança ou política de extermínio?”, setembro 2003; Agora, 21/12/2005.

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11.06.07

Paulinho

 

 

 

 

 

Esse caso aconteceu na Zona Leste de Sampa...

 

Nome: Paulo Alexandre Gomes

Desaparecimento: 16/05/06

Idade: hoje, teria 24 anos.

Características: Negro, estava em Liberdade Condicional desde 20/06/06.

Local dos fatos: Vila Santa Terezinha em Itaquera, local de alta vulnerabilidade social.


Hoje, quase um ano depois que meu irmão foi “desaparecido”, venho através dessas linhas, tentar expressar um pouco da dor de minha família.

Foram longos dias de muita incerteza. Pouco mais de 350 dias sem entender o que aconteceu na noite de 16/05/06. Noite em que meu irmão, saiu de casa às 21hrs, foi visto pela última vez às 23hrs e nunca mais voltou pra casa.

Naquela data, o comando da policia anunciava na mídia que a situação estava sobre controle.Tudo estava sendo feito para a garantir a manutenção da segurança pública.Na verdade, esse anúncio ocultava a verdadeira razão da “tranqüilidade” tão requerida por todos nós! De fato, tudo estava tão tranqüilo que hoje, sabe-se que nesta mesma noite de 16/05, 89 pessoas foram vítimas de arma de fogo na Grande São Paulo. Muitas delas, mortas em “possíveis confrontos”. Naquela data, tivemos o maior pico de mortes entre os dias 12 e 20/05.

Sabe-se que infelizmente, algumas viaturas da força tática e da rota foram às ruas em busca dos escolhidos, aqueles que tinham o perfil procurado naqueles dias, negros, pobres, ex-detentos e tatuados. Eles (policias) queriam ir à desforra, crimininalizaram a pobreza, destroçaram as periferias.

O mais triste disso tudo é saber que meu querido irmão tinha exatamente este perfil.

O que nós intriga é o fato que, na mesma data, policiais de uma viatura da Rota agrediram dois rapazes nas imediações de nossa casa, há metros de onde meu irmão foi visto pela última vez. Infelizmente, como já esperado, não conseguimos ainda provar que as situações possam ter alguma relação com seu desaparecimento.

Desde os primeiros dias, quando ouvimos e registramos todos os depoimentos dos amigos, das pessoas que o viram naquela noite, pudemos identificar grandes possibilidades de envolvimento de “policias” covardes em seu desaparecimento e, sendo assim, na verdade, sua desaparição.

Ao longo desses meses, sentimos um imenso vazio, uma lacuna que para mim, Francilene, começou lá na noite do dia das mães 14/05, quando ele me deu tchau e sorriu! Essa lacuna está aberta, só nós restou muita saudade, incerteza e revolta. Revolta por termos sido tratados como invisíveis, sem sermos ouvidos pelo Estado. Por perceber que para alguns de seus representantes (delegados, investigadores e afins) meu irmão era mais um bandido, passível de ser eliminado. Afinal, quem se interessa em descobrir o paradeiro de um bandido?

Hoje, penso que a pena de morte no Brasil só não é legalizada, pois, principalmente nas periferias, locais abandonados pelo Estado, ela é executada fora dos marcos da lei. Determinada e executada pelas mãos de quem deveria nos proteger. Isso, a torna mais perversa ainda!

Com esse manifesto e os inúmeros e-mails e cartas que percorrem as comissões de direito humanos, queremos dizer que continuaremos tornando público o sofrimento de nossa família. Exigindo que se faça justiça. Nossa condição, não é só nossa, individual, é coletiva, é social.

Ass: Família de Paulo Alexandre Gomes 10/05/2007

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22.05.07

Danilo e Alex

Desaparecido desde 28/02/2003, era sábado por volta de 10:00 da manhã estava na companhia de seu amigo , Alex Quirino 18 anos, estavam em um campo de futebol chamado Campo do Estrela, no Jd São Paulo região do 15º Batalhão, Danilo e Alex , foram abordados por uma viatura , e em seguida colocados dentro da viatura que partiu em alta velocidade.

As familias foram avisadas e como todas as outras familias as buscas foram feitas , delegacia,hospital e IML e nunca mais se soube de Danilo e Alex.

Este caso foi denunciado, a relatora da ONU Srº Asma Jahangir em 20 de Maio de 2003, na Câmara Municipal de Guarulhos em audiência Pública realizada pela comissão especial do CDDPH (Conselho de Direitos da Pessoa Humana).Onde foram feitas as denuncias sobre a existência de grupos de extermínio em Guarulhos.

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  • Postado em 16:18:51

André Lima

Dia 01 de Maio de 2007, por volta de 20:00, André caminhava na companhia de seu Tio Adailton, na Av.: José Rangel Filho, região do Presidente Dutra, era feriado do dia do trabalho, um domingo a noite,quando André e seu Tio, avistaram a Blazer da P.M se distanciaram temendo que fossem abordados, pois ambos tiveram passagem por tentativa de furto, e permaneceram 16 dias presos no CDP l de Guarulhos, foram abordados em separado, Adailton apresentou seus documentos foi indagado se tinha passagem afirmou que sim, explicou que ficou 16 dias enquanto André era também revistado e questionado, André amedrontado a principio negou ter passagem mas em seguida confessou, o que fez com que os Pms , começarem a gritar e ameaçar ele, foi quando dispensaram o Adailton, e disseram a André que ele os acompanharia para averiguação, Adailton avisou a família que se deslocou ao 7º D.P chegando lá tiveram a informação que André não havia sido levado para lá, a família passou a noite lá em busca de noticias, ao cair da madrugada a mãe já desesperada já suspeita que não verá mais seu filho, então é acompanhada por um policial aos hospitais da região onde não o encontra, retorna para Delegacia por volta de 05:00 da manhã é levada para sua residência e seu cunhado que fora a testemunha do momento em que levaram André,é encaminhado até a corregedoria da P.M , onde apresentaram a ele cerca de 400 fotografias de Pms, e ele não reconhece nenhum. O caso foi denunciado a imprensa, e até o presente momento não se há noticias do paradeiro de André.

Fica a pergunta os dois foram abordados as 20:00 do dia 01/05/2007 região do 31º BPM,Será que haviam lá 400 homens de plantão??? Porque não foi mostrada as fotos dos Pms de Plantão naquele momento???


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17.05.07

Diego e Ewerton

15 anos, guardador de carros (flanelinha), foi levado por PMS dentro de uma blazer, próximo ao Bosque Maia região central de Guarulhos.
Diego estava na companhia de Everton Pereira dos Santos, 24 anos ,amasiado 2 filhos, foram levados e até hoje não apareceram.
Dia 14 de Maio de 2006, dia das Mães, começava em São Paulo a semana Sangrenta, ou como a mídia chamou os "ataques".
Viaturas transitavam em Guarulhos em alta velocidade, era Domingo a noite, familiares de Ewerton se dirigiram ao 1º D.P, em busca de informações, logo após receberem a noticias de que Ewerton e Diego foram levados por uma viatura, ao chegar no 1º D.P o pai de Ewerton presenciou um clima de euforia e desespero por conta dos ataques a delegacias, foi atendido com descaso afirmaram que Ewerton estava lá na carceragem e mandaram que retorna-se pela manhã, o que foi feito, e para a surpresa de todos Ewerton não estava e nem esteve lá, iniciaram-se então as buscas em hospitais e I.M.LS, que a esta altura já tinham vários corpos, alguns mortos por R.S.M a causa morte inventada pela policia (Resistência Seguida de Morte) e outros mortos em chacina por encapuzados ,outros encontrados mortos em via publica, em meio a toda essa confusão a família de ambos procuravam por noticias,as buscas se estenderam ao I.M.L Central-S.P , onde até hoje 22 corpos foram enterrados sem identificação.
A um ano as famílias de Diego e Ewerton esperam uma resposta do Estado???

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